Bauru
 
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Faculdade de Engenharia de Bauru
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Pós-graduação > Programa de Pós-graduação em Engenharia Civil e Ambiental

Justificativa

a. Importância da proposta no contexto do plano de desenvolvimento da IES
A UNESP (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho) é uma das maiores e mais importantes universidades brasileiras, com destacada atuação no ensino, na pesquisa e na extensão de serviços à comunidade. Mantida pelo Governo do Estado de São Paulo, é uma das três universidades públicas de ensino gratuito, ao lado da USP (Universidade de São Paulo) e da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
Há, no entanto, uma peculiaridade que a distingue das demais: é a única universidade presente em praticamente todo o território paulista. Sua estrutura multicampi está presente em 23 cidades do Estado de São Paulo, sendo 21 no Interior; um na Capital do Estado, São Paulo, e um em São Vicente - o primeiro de uma universidade pública no Litoral Paulista.
Essa penetração não se dá somente através do ensino de graduação, pois com base na política nacional de pós-graduação instituição tem direcionado o Sistema de Pós-Graduação da UNESP no sentido de formar pesquisadores e técnicos para empresas públicas e privadas, capacitar corpo docente para o ensino superior, qualificar professores para a educação básica e profissionais para o mercado de trabalho público e privado.
A UNESP, apesar de toda penetração nas mais diversas áreas da ciência e da tecnologia, não dispõe, nas regiões mais desenvolvidas do Estado de São Paulo, um programa específico de pós-graduação stricto-sensu em Engenharia Civil ou Engenharia Ambiental. Essas regiões, que abrangem o eixo Via Dutra ? Rodovia Castelo Branco, consolidadas por forte crescimento industrial e populacional, carecem de recursos humanos para atender uma crescente demanda científica e tecnológica.
Neste contexto, a UNESP como instituição de pesquisa, deverá suprir essa demanda, através da integração de importantes centros de pesquisa em Engenharia Civil e Ambiental, locadas nas unidades da Faculdade de Bauru, Campo Experimental de Sorocaba e Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá.

b. Contextos Locais e Regionais
- Contexto da Faculdade de Engenharia de Bauru - FEB
O Campus da UNESP em Bauru está localizado a 330 km da capital São Paulo, às margens da SP-294, Rodovia João Ribeiro de Barros, a 6 km do centro urbano, numa área de aproximadamente 475 hectares. Bauru, atualmente com mais de 340 mil habitantes, é uma referência para a região centro-oeste do Estado de São Paulo, constituindo uma das principais cidades e um dos maiores centros universitários do Estado, que além da UNESP, conta ainda com um Campus da USP, a USC - Universidade do Sagrado Coração, a UNIP - Universidade Paulista, a ITE - Instituição Toledo de Ensino e a FIB - Faculdade Integradas de Bauru, entre outras instituições de ensino superior da cidade, as quais se somam às demais instituições da região.
A Faculdade de Engenharia de Bauru (FEB) foi autorizada a funcionar em 1967, de acordo com decreto do Governador do Estado nº 47.893, de 12/04/67, e portaria nº 7/67 do Conselho Estadual de Educação. Neste mesmo ano de 1967 entrou em atividade o curso de Engenharia Mecânica, em 1968 o curso de Engenharia Civil, e em 1970 o curso de Engenharia Elétrica, os quais eram mantidos pela Fundação Educacional de Bauru, entidade jurídica sem fins lucrativos. Desde a sua fundação, em 1967, foram criados vários cursos e unidades, mantidos por essa Fundação. Os cursos de Engenharia Civil e Engenharia Mecânica foram reconhecidos em 1972, através do decreto nº 70.596 da Presidência da República, e o curso de Engenharia Elétrica obteve seu reconhecimento em 1975, com o decreto nº 78.846.
Em 1985, conforme parecer nº 951 de 02/07/1985 da Comissão Estadual de Ensino (CEE), a Fundação Educacional de Bauru foi transformada na Universidade de Bauru, composta pelas Faculdades de Engenharia, Tecnologia, Ciências, e Artes e Comunicação. Em agosto de 1988, a Universidade de Bauru foi encampada pela UNESP e os cursos de Engenharia e Tecnologia foram agrupados em uma única Unidade, chamada Faculdade de Engenharia e Tecnologia (FET). Atualmente, com a extinção dos cursos de Tecnologia, a unidade passou a ser denominada Faculdade de Engenharia, que junto com a Faculdade de Ciências (FC), a Faculdade de Arquitetura Artes e Comunicação (FAAC), integram o Campus da Unesp
no município.
A Faculdade de Engenharia de Bauru (FEB) possui quatro departamentos (de Engenharia Civil, de Engenharia Elétrica, de Engenharia Mecânica e de Engenharia de Produção) e oferece ensino e pesquisa de qualidade, através de atividades na Graduação, Pós-Graduação e Extensão, contribuindo para o desenvolvimento tecnológico do Estado de São Paulo e do Brasil.
A FEB oferece os cursos de Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção em nível de graduação. Em nível de pós-graduação stricto sensu, oferece os cursos de mestrado acadêmico em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção. Recentemente foi credenciado o curso de mestrado acadêmico em Engenharia Elétrica. Também, oferece vários outros cursos de Especialização, Atualização e Extensão em várias áreas relacionadas com a engenharia.
O Departamento de Engenharia Civil não possui um curso de mestrado acadêmico, sendo que os alunos formados no Curso de Graduação em Engenharia Civil, quando interessados pela formação na área sanitária e ambiental, deslocam-se tradicionalmente para outras instituições em São Carlos, Campinas ou São Paulo. Alguns alunos, apesar das restrições ao formato do Programa da Engenharia Mecânica, na época, denominado Engenharia Industrial, participaram e concluíram suas dissertações de mestrado na linha de pesquisa Manejo de Resíduos. O que mais se aproxima dentro de uma linha ambiental, está inserido no mestrado acadêmico da Engenharia de Produção, com sua linha de pesquisa em Gestão Ambiental, com foco restrito para gerenciamento de sistemas.
Sem um enfoque adequado para os recém formados em Engenharia Civil, perde-se a oportunidade de orientação de bons alunos, cuja maioria fora contemplada na graduação, com bolsas de iniciação científica. Ao longo do tempo, a ausência de um curso de mestrado acadêmico, tem limitado o envolvimento de nossos alunos de Engenharia Civil somente à iniciação científica nesta unidade de origem.
A UNESP possui mais duas unidades em que são oferecidos cursos de engenharia civil, localizados em Ilha Solteira no extremo oeste do Estado de São Paulo, a 400 km de Bauru e em Guaratinguetá, na extremidade leste, a 550 km. Somente Ilha Solteira dispõe de um mestrado acadêmico em Engenharia Civil, com duas áreas de concentração, que são (a) Estruturas e (b) Recursos Hídricos e Tecnologias Ambientais. Desta forma, a IES possui um único curso de mestrado acadêmico em Engenharia Civil com ênfase às questões ambientais, deslocado em 400 km do centro geográfico estadual, distante dos eixos mais produtivos e complexos, com grandes problemas e desafios de ordem ambiental.
Como eixo produtivo, pode ser destacado aquele que se inicia na região metropolitana de São Paulo e se desloca para Campinas, São Carlos e Ribeirão Preto, em direção ao norte do Estado, consolidados pela presença da USP e UNICAMP, com seus núcleos de ensino e pesquisa.
Em seus planos de expansão a UNESP tem implantado novas unidades ou implementado cursos novos em campi existentes, com foco em ensino e pesquisa, distribuídas geograficamente no Estado. Alguns desses cursos são de Engenharia Ambiental, justamente devido a demanda por este tema, destacando-se o campus de Sorocaba. Com estes planos, observa-se que são evidenciados outros importantes eixos, que se apresentam com polos produtivos de grande crescimento e desenvolvimento, que se ramificam pela rodovia Castello Branco, passando por Sorocaba em direção a Bauru, abrangendo as regiões sudoeste e central do Estado. Prolongando-se este eixo de desenvolvimento, passando-se por São Paulo, insere-se o Vale do Paraíba, onde se destaca a Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá da UNESP.

- Contexto do Campus Experimental de Sorocaba
Há que se recordar, que por iniciativa do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo, CRUESP, formalizada em resolução de 19 de janeiro de 2001, com apoio e respaldo do Governo Estadual, propôs-se, pela primeira vez no Estado, uma política conjunta entre as três Universidades Estaduais (USP, UNESP, UNICAMP) para ampliação de vagas do Ensino Superior Público. Dentro desta política, em 2002, o Reitor da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP), Dr. José Carlos Souza trindade deu início ao Programa de Expansão de Vagas da UNESP.
Estruturado em quatro vertentes principais, o Programa de Expansão de Vagas da UNESP permitiu, simultaneamente, ampliar vagas em cursos já existentes das Unidades Universitárias da UNESP, criar novos cursos no âmbito dessas mesmas Instituições de Ensino, oferecer cursos de Educação Continuada para amplos contingentes de professores da Rede Estadual de ensino Fundamental ainda não portadores de diplomas universitários e, por fim, possibilitou a criação e implantação de novos cursos, em novos campi universitários, em regiões do Interior do Estado de São Paulo desprovidos de unidades universitárias mantidas pelo poder público estadual. 
Desta maneira oito novos cursos foram criados nas cidades de Registro (Agronomia), Itapeva (Engenharia Industrial Madeireira), Ourinhos (Geografia), Tupã (Administração de Empresas e Agronegócios), Dracena (Zootecnia), Rosana (turismo) e Sorocaba (Engenharia Ambiental e Engenharia de Controle e Automação). É neste contexto que foi criada Unidade Experimental de Sorocaba/Iperó, em 29 de agosto de 2002 mediante despacho Nº 93/02 - CO/SG e iniciou suas atividades em agosto de 2003, oferecendo 60 para curso de Engenharia Ambiental. Em 2006, a unidade passou a ser denominada Campus Experimental de Sorocaba, segundo o despacho Nº 50/2006 - Conselho Universitário/SG de 27/04/2006.
A região de Sorocaba, local onde está situado o Campus Experimental de Sorocaba da UNESP e que abriga o curso de Engenharia Ambiental, está situada a sudoeste do Estado, constituindo 15% de seu território total, sendo formada pelo entorno da Rodovia Castello Branco e de toda área que vai desta rodovia até a divisa do Estado do Paraná. No sentido Litoral, na região do Ribeira, é franqueada pelos costados da Serra do Mar. Abrange mais de 60 municípios que sob o ponto de vista do desenvolvimento econômico e social pode ser considerada uma região muito heterogênea. Enquanto Sorocaba e as cidades de seu entorno apresentam perfil tipicamente industrial, comercial e de serviços, predomina no eixo noroeste grande área de base agropecuária e, por fim, no extremo do sudoeste se localiza a região do Ribeira, lado do interior, com estágio de desenvolvimento considerado o mais baixo do Estado num processo rural de apenas sobrevivência.
No processo de desenvolvimento da região, houve um verdadeiro esvaziamento das localidades mais ao sul com estagnação das cidades da linha agrícola (Itapetininga, Capão Bonito, Angatuba e Avaré), com crescimento escasso (Itapeva) e, na região metropolitana de Sorocaba, um forte crescimento populacional nos últimos 5 anos, considerado um dos maiores do Estado. A cidade de Sorocaba se destaca no contexto estadual e nacional como um importante centro industrial e comercial, com cerca de 1.700 indústrias, várias delas líderes no mercado.
O projeto de implantação do Campus Experimental de Sorocaba na região vem considerando sua vocação desenvolvimentista, ou seja, conciliando o atendimento à demanda educacional, o desenvolvimento de políticas públicas orientadas para as áreas mais carentes, preocupando-se também com práticas de preservação ambiental e programas voltados para o desenvolvimento urbano e rural auto-sustentável. Diante deste cenário, o Campus Experimental de Sorocaba tem o desafio de formar um novo tipo de Engenheiro capaz de contribuir com aprimoramento tecnológico e o desenvolvimento sustentável das indústrias da região.
Embora vários cursos de nível superior contemplem questões relativas ao meio ambiente (geografia, geologia, biologia, ecologia, engenharia sanitária, dentre outros), nenhum tem como foco específico o estudo dos processos e métodos que possibilitem e fundamentem tecnologias voltadas para o meio ambiente bem como uma indispensável e eficiente Gestão Ambiental. Diante desse contexto, surge recentemente a implantação, em vários estabelecimentos de ensino superior, de cursos de graduação em Engenharia Ambiental.
Esse curso tem como finalidade básica à formação de recursos humanos qualificados para atuar no campo da Engenharia de modo a considerar adequadamente as relações das atividades do homem com o meio ambiente. Suprindo assim uma demanda cada vez maior das organizações que por exigências legais ou não necessitam de profissionais da engenharia com formação específica em meio ambiente.
Certamente boa parte dos alunos de Engenharia Ambiental graduados neste curso, continuarão seus estudos no programa stricto sensu proposto, pois essa demanda tem ficado clara, a partir da procura antecipada, por parte dos formandos de cursos de engenharia em áreas afins.

- Contexto da Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá - FEG
A Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá - FEG foi criada em 1994 através da Lei Estadual n° 8459 e começou a funcionar no ano de 1966, oferecendo o curso de engenharia: habilitação mecânica. Em 1976, com a criação da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" - UNESP - esta Faculdade foi transformada em autarquia de Regime Especial pelo Decreto Lei nº 191/70, passando a integrar o Câmpus de Guaratinguetá, como uma das diversas unidades desta nova Universidade. A área construída do Campus perfaz, atualmente um total de aproximadamente 22.000 m2 compreendendo salas de aula, biblioteca, laboratórios didáticos e de pesquisa, departamentos de ensino, Pólo Computacional, moradia estudantil, centro de convivência, cantina, ginásio de esportes, cantina, unidade de assistência médica, creche e setores de apoio acadêmico e administrativo. Tendo como objetivo principal à formação de recursos humanos, buscando profissionais qualificados indispensáveis à ampliação e modernização do crescente parque industrial do país, a FEG-UNESP oferece cursos de graduação com estrutura atualizada e continuada, e constantemente avaliada por alunos e docentes, coordenados por um Conselho de Curso, atuante, formado por especialistas na sua área de atuação. Hoje, a FEG oferece cursos de graduação nas áreas de engenharia mecânica, engenharia civil, engenharia elétrica, engenharia dos materiais e bacharelado em física, assim como, cursos de licenciatura em física e matemática. Ao nível de pós-graduação, são oferecidos cursos, mestrado e doutorado, em Engenharia Mecânica, nas áreas de energia e materiais e Física.
A FEG tem localização privilegiada na zona urbana da cidade de Guaratinguetá. A cidade esta situada no Vale do Paraíba, em uma região de grande desenvolvimento tecnológico e industrial. A cidade esta distante de 180 km da cidade São Paulo, 200 km da cidade do Rio de Janeiro, 90 km do litoral norte e 60 km da serra da Mantiqueira. O ciclo do café e o ciclo da pecuária no Vale do Paraíba deixaram um passivo ambiental muito grande com grandes áreas de pasto abandonado e solo totalmente exposto e estéril. Hoje, existe uma grande preocupação da comunidade local devido ao novo ciclo que ameaça a região, conhecida como ciclo do eucalipto, para as indústrias de papel e celulose.Devido ao crescimento industrial no Vale do Paraíba, a região é uma das mais prejudicadas do ponto de vista ambiental. O crescimento industrial e turístico da região vem exigindo dos órgãos públicos mais energia e novas alternativas não só para o escoamento da produção como para melhorar a infra-estrutura viária existente. Hoje, a região é cortada por várias obras lineares tais como gasoduto, oleoduto, linhas de transmissão e várias rodovias, entre elas a Presidente Dutra, Carvalho Pinto, Osvando Cruz e Tamoios. Como solução a médio prazo, duas pequenas hidroelétricas ? PCH?s estão sendo construídas na região de Queluz e estudos encontram-se em andamento para duplicação da rodovia Osvaldo Cruz, que liga Taubaté a Ubatuba e da rodovia dos Tamoios, que liga São José dos Campos a Caraguatatuba, o que facilitará o acesso do Vale do Paraíba aos portos de Santos em São Paulo e Sepetiba no Rio de Janeiro. Recentemente o governo anunciou o início dos estudos do trem-bala entre Rio de Janeiro e São Paulo, dentro do programa PAC. Todo esse desenvolvimento tem conseqüências diretas ao meio ambiente da região. A região do Vale do Paraíba, serra do Mar e serra da Mantiqueira apresenta um contexto geológico muito complexo e instável aos quais, as intervenções humanas vêm potencializando e acelerando os processos de degradação ambiental, tais como exposição de solo, erosões, escorregamentos e inundações, poluição das águas superficiais e subterrâneas e poluição do ar. Na região existe uma grande concentração de cidades em franco desenvolvimento aos quais exigem estudos e soluções para o manejo de resíduos e ocupação das bacias hidrográficas de modo a preservar os recursos hídricos e conservar o solo. Através de um programa de Pós-Graduação interunidades na área de Engenharia Civil e Ambiental não só permitirá a ampliação das pesquisas que se encontram em andamento na FEG, como também, vai permitir a formação de pesquisadores para atuarem na região, com conhecimento do meio físico local, visando soluções compatíveis entre o desenvolvimento e o meio ambiente. A proposta de uma pós-graduação interunidades será muito importante para trocas de experiências e para o desenvolvimento de pesquisas conjuntas. Devido a localização das três unidades da UNESP, Guaratinguetá, Bauru e Sorocaba, nos diferentes contexto geológicos do Estado de São Paulo, o programa permitirá avaliar diferentes procedimentos metodológicos, métodos de investigação, instrumentação e monitoramento assim como, formas de prevenção e intervenção no meio ambiente.